
Entre as várias personalidades que estão a ser consultadas pelo Presidente da República, apreciámos a coragem do economista e militante do PSD João Salgueiro, que, à saída da reunião, não hesitou em revelar aos jornalistas que a solução que se impõe para a crise política aberta por Durão Barroso é a de eleições antecipadas.
Os economistas da área do PS são unânimes em emitirem essa mesma opinião.
Outros políticos também preferem que, neste momento grave, se dê voz ao povo.
E que dizer da coragem de Pacheco Pereira, figura influente no PSD, no seu artigo publicado ontem no “Público” em que “desanca” Durão Barroso, pela atitude que tomou, e Santana Lopes em quem não vê quaisquer qualidades para chefiar um governo?!
Quanto a este fez, com frontalidade e verdade, a sua história política, tão recheada de incongruências, de demagogia barata, de perigoso populismo como ele se tem comportado perante a política e a sociedade.
Pacheco Pereira analisa negativamente o que Santana Lopes foi como Secretário de Estado da Cultura, como Presidente da Câmara da Figueira da Foz e, agora, de Lisboa.
Promessas que não cumpre, conduta de espectáculo, despesismo incontrolável, instabilidade nas posições, superficialidade no estudo dos problemas, etc!
Miguel Sousa Tavares e muitos outros comentadores políticos têm passado um atestado de incompetência a Santana Lopes, que o PSD-CDS/PP querem indicar para primeiro-ministro.
Miguel Veiga, um histórico do PSD e mais alguns notáveis desse Partido afinam pelo mesmo diapasão.
Claro que há quem apoie essa figura contestável e contestada de Santana Lopes – esses são, sem dúvida, os que esperam dele os favores políticos ou económicos em que ele é pródigo!....
É simplesmente curioso que Durão Barroso venha agora dizer que se violará o “espírito” da Constituição se o Presidente da República optar por eleições antecipadas.
A Constituição dá ou não no Supremo Magistrado da Nação a prerrogativa de se decidir por elas?!
E deixa também Durão Barroso em “segredo” as conversas que diz ter tido com Jorge Sampaio, levando matreira e malevolamente à suposição de que este lhe deu qualquer garantia de não marcar as eleições...
Tramóias em que é fértil um PSD, que mesmo coligado com o CDS/PP, tem receio de um acto eleitoral!
António Guterres, à saída do Palácio de Belém, quando lhe perguntaram o que devia fazer o Presidente da República, limitou-se a dizer “o que é óbvio” e o óbvio para ele, para nós e para a maioria dos portugueses, é que o povo decida através do voto!
Os tíbios não fazem, nunca fizeram, a história!
Luís de Melo Biscaia
Advogado e ex-Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional